sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

VIVER

É interessante a vida, eu que nasci paulistana, na Rua Duque de Caxias, 79 — hoje avenida.

Ainda vi um rádio de Galena (a vizinha tinha um), estudei, e a locomoção eram os bondes.

Vi nascer o rádio — meu namorado trabalhava numa loja (Cássio Muniz) e eles permitiam que o futuro comprador ficasse uma semana com o aparelho, como experiência. Carros eram quase todos pretos ou azul-marinho — os Buicks eram os mais chiques. Nasceu a Educadora Paulista e vieram outras. As mulheres, como minha mãe, senhora jovem, quando saía era sempre acompanhada, vestida quase sempre de azul-marinho ou marrom.

O preto era só para luto — e ai da pessoa que não seguisse as regras (era mal vista). Dois anos vestindo roupas de cor preta. Viúvas, 1 ano; pais, 6 meses; irmãos — os homens com tarja preta na lapela (que hipocrisia).

Custo acreditar no que vem acontecendo: televisão em nossas casas, video, computador, cinema, DVD , ver o Homem andar na Lua.

Telefone: antigamente, nós nos inscrevíamos na Telefônica e só quando colocassem o cabo no local é que poderíamos ter um. Esperamos por ele 14 anos (e morávamos no bairro chic de São Paulo, Campos Elíseos).

Como tudo mudou! Para melhor, muito melhor!

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